Em Chão Sobral e na Serra do Açor sucessivas gerações de seres humanos acumularam experiência nos domínios da modificação da paisagem e da integração de novas variedades de plantas que nos são úteis em paisagens construídas e habitadas.

Os sistemas das paisagens humanas estão condicionados e limitados por condições climáticas e geológicas, da flora e fauna, pré-existentes e padronizadas.

Neste caso, os seres vivos no ecossistema das nossas serras adaptaram-se a declives rochosos e íngremes e a um verão sem chuva.

Predominam os arbustos que regeneram rapidamente após um incêndio: urzes, giestas, carqueja, medronheiro, e que são alimento para as cabras.

Este "excerto" de paisagem humana é típica a altitudes que variam entre os 400 e os 800 metros de altitude.

Esta é a primeira versão incompleta que será actualizada brevemente.

 

Coma das nossas batatas e faça um investimento multi-funcional

 

Para explicar como cultivamos as batatas, primeiro temos de falar das nossas cabras.



Plantamos as batatas em socalcos, onde as cabras pastam durante o resto do ano.

Para elas pastarem semeamos centeio em Setembro, que cresce bem durante o frio do Inverno.


Para fazer a cama das cabras, vamos a pé colher manualmente arbustos lenhosos, que regeneram rapidamente,
como urzes, carquejas, giestas e sorgaços das encostas da serra
(por onde os incêndios passaram em 1988 e 2005).

Muitas vezes transportamos estes molhos de vegetação sobre os nossos ombros e em carrinho de mão até ao curral.

A cama das cabras, que atinge por vezes 1 metro de profundidade, gera fermentação e calor, que as aquece no Inverno.

Depois esse material grosseiro pré-fermentado vai ser levado
(sobre os ombros e em carrinho de mão)
para os socalcos de cultivo, para ser enterrado através da cava manual (com "garranchos").

A cava manual traz para a zona superficial uma camada de terra

que contém o resultado da decomposição do estrume enterrado no ano anterior.
 
 
Nessa camada superficial abrimos valas onde semeamos as batatas,
e entre cada duas sementes colocamos um punhado de cinzas da lareira e um de composto.
Este composto forma-se e acumula-se naturalmente no fundo do curral das cabras.
 
Logo que as batatas lançam as primeiras folhas,
e porque os socalcos têm declive acentuado,
colocamos entre as batateiras agulhas dos pinheiros, ou outra vegetação fácil de manusear,
com a função de empalhamento ("mulching"),
para abrandar o fluxo e facilitar a infiltração da água durante a rega por inundação,
para evitar a evaporação e a germinação de ervas daninhas.

 
A primeira rega por inundação, chama-se "enleirar" e é feita em equipa.
Calcamos com os pés o empalhamento, para o "ligar" ao solo solto em declive.

Como os nossos solos são pouco profundos e
perdem muito rapidamente a humidade natural acumulada no Inverno,
no início do Verão a rega por inundação começa em força.
 
A partir daqui as regas são feitas uma vez por semana
pois a água das nascentes é partilhada entre os vizinhos com esta regularidade.
 
Passados 3 ou 4 meses, as batatas são desenterradas com os "garranchos"
e apanhadas à mão.
 


Este processo de cultivo contribui para:

- manutenção da biodiversidade (cabras e ovelhas na serra);
- controlo da vegetação selvagem e incêndios menos intensos e de mais fácil combate;
- enriquecimento dos solos com matéria orgânica, que facilita a infiltração da água da chuva no lençol freático, prevenindo inundações;
- produção de alimentos ricos em nutrientes e minerais que mantém o estado de saúde;
- exercício físico regular para avós, pais e netos;
- trabalho em equipa, onde participam famílias, vizinhos e amigos;

- soberania alimentar, o exercício do direito de escolhermos e assegurarmos a nossa alimentação;
- deixar os solos de cultivo livres de tóxicos para as próximas gerações.

Portanto, comer as nossas batatas não só lhe faz bem à saúde,
como está a contribuir para um sistema integrado com múltiplos efeitos benéficos.



Aceitamos encomendas - 96 96 80 009 ou joaovox [at] gmail.com

 


É T I C A   À   M E S A

Oficina de pão    +    J a n t a r
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Sáb 1 OUT  | 16h | MIAU - Espaço Alvito
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Programa:
 
16:00 -Oficina de pão
Pão de espelta por Joana Gil Nave.
Máximo 7 pessoas
10 € - pão de espelta biológico de 500g incluído


PS: Quem não vai à oficina e está interessado em comprar pão de espelta, avise para a Joana trazer de casa já feito.


17:00 Mercado

De produtos hortícolas de produção familiar e produtos artesanais de produção caseira.


19:00 - Preparação do jantar  e da mesa



20:00 - Jantar Ético
O jantar está servido!
Refeição preparada com alimentos provenientes de agricultura biológica, local e familiar, de origem conhecida.
Os ingredientes e a sua origem vão ser apresentados antes de iniciarmos a refeição.

A ementa será anunciada brevemente aqui:
porque precisamos de saber exactamente o que há na horta daqui a 2 semanas.
 
Mais pormenores serão adiantados à medida que os formos definindo.
Sugestões ou pedidos ainda podem ser aceites...

 
Custo da refeição: 10 € | Crianças (até 12 anos): 5 €
 

LOJA GRÁTIS
Pode trazer coisas que tenha em casa, em bom estado e de que já não precise.
O espírito é "passa ao outro e não ao mesmo".



Local: Espaço Alvito - Sede da MIAU Associação Cultural
 
 
Morada : Espaço Alvito, Bairro do Alvito (Edifício Central), R/C Dt.º, 1300-052 LISBOA
 
 
Informações e Reservas:
Para preparar uma refeição sem desperdício alimentar, é obrigatória a reserva do jantar, até quarta-feira dia 28 de setembro, para:
 
CASA VERDE - Cozinha Ética
A/C: Mónica Barbosa
Tmv: 936810765
 
 
Parceria: CASA VERDE Cozinha Ética e MIAU A.C.
 
    
                               MIAU Associação Cultural
                               miau.org.pt
 
 
Para saber mais sobre a equipa e sobre Cozinha Ética visite:
 

De tomateiros atados a estacas de mimosa, que ocupam 2 metros quadrados no novo terraço dos abacateiros em Chão Sobral, depois de uma semana ausente em Lisboa.

Este terraço está integrado num sistema de irrigação que é usado há centenas de anos. "Um é o que semeia, outro é o que ceifa"!

Mais esclarecimentos sobre este tópico:

https://www.facebook.com/joaopedro.goncalves.543/posts/10206844587648909